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Sexta, 08 de março de 2013, 15h40 | Tamanho do texto: A- A+

DIA DA MULHER

Policial conta trajetória dentro da instituição

DANA CAMPOS
Assessoria/PMMT

 

 

 

Mayke Toscano/Secom-MT
Tenente-coronel Adriana de Souza
Tenente-coronel Adriana de Souza

Com 291 anos de existência, a Polícia Militar passou a contar com a participação feminina em seu efetivo somente há 29 anos. Para celebrar a importância da presença da mulher na corporação, foi criada, em 04 de agosto de 2010, a Lei nº 9.432, que institui o ‘Dia da Mulher Policial Militar’, celebrado todo dia 20 de outubro. Ao longo desses 29 anos de participação nos quadros da instituição, a mulher passou a conquistar seu espaço, ocupando áreas de comando e estratégia. Em entrevista, uma das 593 policiais femininos a compor o efetivo hoje, a tenente-coronel Adriana de Souza Metelo, de 38 anos, a segunda a comandar a Academia de Polícia Militar Costa Verde (APMCV), em que são formados os oficiais da PM. Nascida em Florianópolis, em Santa Catarina, a tenente-coronel conta, neste 'Dia Internacional da Mulher' sobre sua trajetória dentro da PM e o que a mulher representa hoje dentro e fora da corporação.

Dana Campos - Quando a senhora entrou na Polícia Militar?
Ten. Cel. Adriana - Em março de 1994, por meio do primeiro Curso de Formação de Oficiais (CFO) realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com 18 anos de idade. Na época a concorrência só entre as mulheres era de 99/1. 

Dana Campos - A senhora recebeu apoio da família?
Ten. Cel. Adriana - Como minha família não é daqui. Quando resolvi fazer a seleção, meu pai deu total apoio, mesmo não sendo militar. Minha mãe já ficou mais preocupada. Não gostava muito da ideia. Mas, como minha irmã já morava aqui em Cuiabá, tive todo o suporte, na época. 

Dana Campos - Como foi a fase de acadêmica dentro da instituição?
Ten. Cel. Adriana - Foi muito difícil. Primeiro, por estar longe dos meus pais. Apesar de a minha mãe 'abandonar' meu pai para vir a cada dois meses aqui. Mesmo assim, como eu vivia na Academia em regime de internato, acabava que nos víamos muito rapidamente, quando surgia alguma oportunidade. Segundo, porque havia muita concorrência entre todos os cadetes, inclusive, entre as mulheres, que era ainda mais acirrada. A gente queria muito mostrar que éramos tão capazes quanto os homens. 

Dana Campos - Havia algum tratamento diferenciado pelo fato de ser mulher?
Ten. Cel. Adriana - Não. Pelo contrário. Tudo era desfavorável. A farda, o treinamento, as armas e demais equipamentos não eram adequados para a mulher. Ou era muito grande, ou muito pesado. Hoje algumas atividades são mais adequadas ao biotipo da mulher, a arma é menor e a roupa mais confortável e feminina. 

Dana Campos - Quais foram as dificuldades?
Ten. Cel. Adriana - A distância, solidão e a concorrência foram as maiores dificuldades. Mas que a gente teve que superar para atingir nosso propósito, que era fazer parte da Polícia Militar. 

Dana Campos - Hoje, na sua opinião, o que representa a participação da mulher dentro dos quadros da corporação?
Ten. Cel. Adriana - Um grande processo de evolução. Hoje temos mulheres em comando de batalhão, a Ten Cel PM Roma, que pilota aeronave, a capitã Jussara. Já tivemos mulher, a coronel Lilian, que chegou ao posto de coronel. Uma grande conquista que não é somente delas, mas de todas nós. Pois demostra a evolução e importância que a mulher conquistou dentro da instituição. 

Dana Campos - A senhora é casada, tem filhos? Como é essa relação família-instituição?
Ten. Cel. Adriana - Hoje está mais fácil. Tenho dois filhos, Djonathan, de 14 anos e Samuel, de 04. O mais velho, pelo fato de ter vivenciado todo o início da minha carreira na PM até os dias de hoje, sofreu muito e até hoje não gosta de nada que esteja relacionado à Polícia Militar. O menor já não liga muito, até gosta. Entendo o sentimento do Djonathan, pois foram muitos anos de ausência, de distância, mas que hoje consigo organizar melhor o meu tempo. 

Dana Campos - A gente ouve muito falar sobre 'jornada dupla’ da mulher, que trabalha fora e dentro de casa. Como a senhora lida com isso?
Ten. Cel. Adriana - Como disse, hoje sei lidar melhor com essa dupla missão. Entretanto, tive muitos prejuízos no início da minha carreira militar, por ter feito meu filho mais velho sofrer tanto com a minha ausência dentro de casa. 

Dana Campos - Como fez para amenizar essa dor? Algum momento a senhora sentiu remorso por escolher essa profissão? Pensou em atuar em outra área?
Ten. Cel. Adriana - Busquei ficar mais próxima, com atuação em áreas em que a escala era mais flexível. O que fez com que eu pudesse ficar sozinha com meus filhos e fazer atividades de lazer, como ir ao cinema, por exemplo. Proximidade que, no início da minha carreira, causava estranheza. Muitas vezes eu me perguntava o que fazer, como lidar com ele. Hoje não enfrento mais essa dificuldade. O que me traz muita felicidade.

Dana Campos - Hoje, qual a sua avaliação sobre a carreira militar? Acredita que valeu a pena ou escolheria outra profissão?
Ten. Cel. Adriana - Tenho total certeza de que valeu a pena. Hoje estou casada com o Cesar, que também é militar. Nos conhecemos aqui na Academia Costa Verde. E se tenho minha família hoje é graças a Polícia Militar, a qual pude atuar no interior do Estado, em Sorriso e Rondonópolis e na Capital, junto ao Comando Geral da PM e Polícia Comunitária. 

Dana Campos - Quais são suas considerações finais?
Ten. Cel. Adriana - Que mesmo apesar de tanta dificuldade, tudo valeu a pena. Tenho meus dois filhos, um marido que me apoia em todos os momentos, que deu e me dá o suporte para enfrentar todos os desafios e alcançar os meus sonhos. E como mulher, sinto-me realizada profissionalmente. Por fazer parte de uma instituição que tem evoluído junto com a sociedade no que se refere a valorização da mulher.

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