IDIOMA

 
 
 
Serviços de A a Z
Terça, 23 de dezembro de 2014, 20h50 | Tamanho do texto: A- A+

ENTREVISTA - PARTE II

Delegado Geral destaca desafios e avanços da Polícia Judiciária Civil

LUCIENE OLIVEIRA
Assessoria/PJC-MT

Com experiência de mais de 10 anos na área de inteligência, o delegado geral Anderson Aparecido dos Anjos Garcia, esteve à frente do serviço de inteligência da Polícia Civil e por último foi secretário adjunto de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). Na segunda parte desta entrevista, destaca duas grandes conquistas da Instituição, consideradas como legado: o planejamento estratégico, denominado PJC+10 e o Sistema Geia, um conjunto de módulos administrativo e operacional que facilita a atuação do gestor na tomada de decisão.

O delegado fala ainda da implantação de quatro novas regionais de polícia, e de sua vontade de instalar quatro plantões em Cuiabá.

1. O que o senhor considera como legado à Polícia Civil nesse período de gestão?

Anderson Garcia - Reputo duas coisas primordiais como legado que deixamos para a Polícia Civil. A primeira delas é o nosso planejamento estratégico, que abarca todas as necessidades, e tanto é assim que o próprio plano do futuro governador está em consonância com o nosso planejamento ou o nosso planejamento está em consonância com a vontade do futuro governador Pedro Taques. Isso demonstra que estamos no caminho certo, que estamos em sintonia com a mentalidade daqueles que irão governar o Estado. O segundo grande legado é o Sistema Geia, conseguimos colocar dentro dele toda nossa área administrativa e também a operacional, a nossa atividade fim. Não podemos perder nossa capacidade de investigação. Nossa função constitucional é a investigação criminal e é para isso que a Polícia Civil existe. É isso que demanda a Constituição Federal e é nesse viés que temos que nos preocupar, com a qualidade das nossas investigações, com os meios disponíveis para aqueles que estão na ponta poderem realizar as investigações e fazer um trabalho a contento. Esses são os dois grandes legados que deixamos. Há mais que poderíamos citar, como a questão organizacional através das regiões de segurança pública, conseguimos criar quatro novas regionais de polícia, desta feita, reorganizamos a Polícia Civil em macro regiões, pois integramos e estamos alinhados ao Sistema Nacional de Estatística, o SINESP, os dados estatísticos nos chegam agora, com maior clareza, compatibilizada com outras Instituições de segurança. Realizamos uma gestão por amor, onde nos preocupamos com o servidor. O delegado titular, o regional, o diretor, a diretoria tem que se preocupar com isso. Tanto assim que questões de escândalos internos, ou seja, policiais que se envolveram em crimes foi muito pouco e isso mostra um amadurecimento institucional. No que tange a qualificação profissional, até o ano passado metade do nosso efetivo tinha no mínimo passado por um curso de qualificação, sem contar os cursos de 2014. Esse investimento no ser humano é muito importante. É primordial para que a Polícia consiga exercer sua atividade. O inquérito eletrônico também será outro legado, vamos informatizar todo procedimento cartorário investigativo. Outro ponto fundamental são as ações sociais desenvolvidas pelos projetos De Bem Com a Vida, De Cara Limpa Contra as Drogas e Rede Digital Pela Paz, importantíssimas na orientação e na conscientização do combate às drogas junto aos jovens. Com tudo isso conseguimos um respeito muito grande das polícias judiciárias do Brasil, ao ponto de Mato Grosso ter sido eleito o representante da Região Centro Oeste, no Conselho Nacional dos Chefes de Polícia Civil. Isso é crédito, não a pessoa do delegado geral, mas sim a Instituição Polícia Judiciária Civil que mostrou para o Brasil a seriedade e o profissionalismo que realiza suas ações, seja no administrativo ou operacional. Destacamos também o amadurecimento que conseguimos no que tange a questões de Inteligência Policial. Ela veio para o seio da Polícia Civil para modificar, para criar uma nova cultura, uma nova metodologia investigativa e isso é o que faz a mudança. São transformações estruturais, transformações que permanecem. Conseguimos quando estava como secretário adjunto de Inteligência implantar a inteligência em nível de Estado, fazer o SISP-MT (Sistema de Inteligência de Segurança Pública de Mato Grosso) e aqui agora em nível de PJC criar o SINTEL, que é o Sistema de Inteligência da Polícia Civil. Temos a regulamentação do Sintel, sedimentamos e interiorizamos ele. Realizamos 535 capacitações na área de inteligência e também implantamos o “setor de inteligência estratégica”, que dá suporte ao tomador de decisão para que ele realize um planejamento mais sólido, mais firme, mais completo. Trouxemos de volta para autonomia da PJC a gestão de pessoas, esse órgão importantíssimo para o andamento das questões de todos os servidores.

2. O que gostaria de ter feito e não fez?

Anderson Garcia - Não conseguimos implantar quatro plantões em Cuiabá. Meu desejo era ter conseguido aplicar a divisão de área na Grande Cuiabá. A Capital é uma cidade com praticamente 600 mil habitantes e só temos hoje dois pontos de plantão na cidade. Desejava criar de quatro a cinco plantões. Mas o pouco recurso humano que temos e a questão orçamentária não permitiu que conseguíssemos durante esses 2 anos e 9 meses implantar essa divisão na nossa Grande Cuiabá. O projeto existe e está pronto. Esperamos daqui há algum tempo que isso se concretize. Realizando isso a sociedade da Grande Cuiabá vai ganhar muito no atendimento. Gostaria também que tivéssemos conseguido a abertura do concurso para 1.200 policiais, que era o número que estávamos trabalhando inicialmente. Apesar de toda boa vontade do Governo atual não foi possível por falta de recurso financeiro disponível do Estado, mas estaremos continuando trabalhando visando o aumento do numero de vagas. Essas duas coisas é o que mais lamento de não ter conseguido realizar. Também não conseguimos o incremento de nossa frota de viaturas mais específicas a região, ou seja, as delegacias do nosso Interior necessitam de viaturas do tipo camionetes, em razão das condições de trafegabilidade, de intempéries, etc. As demais, de viaturas de porte maior com “corró” separado para levar as pessoas detidas sem correr riscos, não só ao policial, mas ao próprio delinquente.

3. Como avalia sua gestão na PJC?

Anderson Garcia -Avalio de forma positiva. Chegamos aqui com uma Polícia Civil de certa forma um pouco tumultuada. Encontramos uma Polícia desacreditada e internamente meio desorganizada, com uma imagem completamente acanhada perante as outras instituições estatais. Esses 2 anos e 9 meses foram de muita luta, de muitas conquistas. Gastamos muita sola de sapato, por assim dizendo, e muita saliva frente às outras instituições para mostrar o que realmente a Polícia Judiciária Civil é nesse contexto. Hoje avançamos muito no respeito institucional que temos perante aos outros órgãos. Percebo um reconhecimento, um respeito institucional maior por parte do Ministério Público, do Poder Judiciário, da Polícia Militar, da Politec e de todos os órgãos que compõe o Estado de Mato Grosso como também órgãos federais e até municipais. Angariamos um respeito maior da sociedade, nossa instituição no Estado como um todo, encontra-se muito bem no conceito social, temos o reconhecimento de que realmente a Polícia Civil é capaz de realizar a sua atividade. Isso é respeito, é credibilidade. O quadro que pegamos estava espinhoso, e caminhamos por ele, pois sempre tivemos a visão de que as dificuldades não podem ser encaradas como obstáculos intransponíveis, e sim como grandes oportunidades de crescimento espiritual, pessoal e institucional. Diante de tudo isso, acredito que nossa gestão foi de extremo sucesso. Parabéns à Polícia Judiciária Civil.

Newsletter
Preencha o formulário abaixo para receber nossos boletins: