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Domingo, 21 de dezembro de 2014, 10h02 | Tamanho do texto: A- A+

ENTREVISTA

Delegado Geral destaca desafios e avanços da Polícia Judiciária Civil

LUCIENE OLIVEIRA
Assessoria/PJC-MT

Josi Pettengill/Secom-MT
Delegado Anderson dos Anjos Garcia, durante a abertura das comemorações dos 172 anos da Polícia Judiciária Civil
Delegado Anderson dos Anjos Garcia, durante a abertura das comemorações dos 172 anos da Polícia Judiciária Civil

    "Não podemos perder nossa capacidade de investigação. A Polícia Civil existe em razão de nossa exclusiva função constitucional da investigação criminal". Essa missão institucional é diariamente lembrada pelo delegado Anderson Aparecido dos Anjos Garcia junto a delegados, escrivães e investigadores nos dois anos e nove meses à frente do cargo mais alto da carreira policial, o de Delegado Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.
                                                                                           
Na primeira parte desta entrevista Anderson Garcia, que completou 27 anos na carreira policial nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, fala dos desafios do cargo, das realizações, tecnologias, do sistema Geia que ajuda na gestão administrativa e operacional; da constante necessidade de investimentos em recursos humanos, da qualidade de vida dos servidores, da credibilidade institucional angariada e resgate da identidade da Polícia Civil, bem como do planejamento estratégico para os próximos 10 anos.
                                     
Anderson Garcia destaca também que sempre procurou manter uma política de integração com as instituições públicas, de proximidade com a sociedade e, sobretudo, uma "gestão por amor", preocupada com o servidor policial.
                                          
1. Quais os principais avanços e desafios encontrados em sua gestão ao longo desses 33 meses?
                            
Nesses dois anos e nove meses à frente da Polícia Judiciária Civil procuramos trabalhar alguns eixos que tinham que ser melhorados. O primeiro deles é a tecnologia. Vivemos em um mundo globalizado em que a informação corre muito rápido. O problema não é mais a falta de informação e sim o volume informacional obtido e, principalmente, a análise do seu conteúdo, o trabalho analítico para gerir estas informações de suma importância. É a qualidade que faz a diferença. Então, partimos para o uso da tecnologia e aí surgiram as inovações que ficarão como legado. Como, por exemplo, o sistema Geia, que engloba os módulos administrativo, operacional, cartas precatórias e, em um futuro bem próximo, o inquérito eletrônico que já se encontra em experimento no 2º DP do Carumbé para maior agilidade e controle administrativo. Implantamos também a solução QlikView, voltada para a análise estatística, facilitando o manuseio dos dados em prol da gestão. Implantamos o Laboratório Contra a Lavagem de Dinheiro, um grande investimento de mais de R$ 2,5 milhões em parceria com o Ministério da Justiça. Com o laboratório iniciamos uma mudança metodológica do trabalho investigativo de organizações criminosas pois, além de se preocupar com a identificação e prisão dos autores, a Polícia Civil tem, a partir de agora, que se preocupar também em resgatar os ativos oriundos do crime. O segundo ponto é a qualidade de vida do servidor. Um servidor trabalhando satisfeito produz mais e quem ganha com isso é a sociedade. Conseguimos negociar o salário dos investigadores, dos escrivães e dos delegados de polícia, apesar de reconhecer que necessitamos melhorar mais. Não podemos nos esquecer do avanço obtido na política salarial. Entendo que estamos num patamar razoável, frente a magnitude das funções que desempenhamos para a sociedade. Fora isso, nos preocupamos com a questão da saúde do servidor e implantamos uma academia de ginástica na Acadepol. Implantamos a sala de descanso no prédio da Diretoria Geral para uso do servidor. Na questão das delegacias móveis, obtivemos um ônibus adaptado a nossa atividade com cofre, cela, espaço físico, guichês de atendimento, cozinha com eletrodomésticos acoplados e sofá-cama para descanso. O ônibus, além da alta tecnologia agregada, também visa a qualidade de vida dos servidores, pois trata-se de um local mais digno e condizente para o exercício de nossa missão. Incrementamos o nosso setor psicossocial da Polícia Civil e hoje contamos com mais assistentes sociais e psicólogas que trabalham junto aos servidores com algum tipo de problema, até mesmo familiar, dando apoio e orientação. Lotamos também profissionais nesta área junto as Delegacias de Chapada dos Guimarães e Poconé, que além de atender as vítimas de violência, atendem também os policiais daquelas unidades. Apesar de termos dado este início nas proposituras mencionadas, ainda há muito que se fazer. Queremos estender estas questões a outras Delegacias de Polícia, buscando atingir cada vez mais um maior número de servidores. A Copa do Mundo foi um desafio imenso, por se tratar do maior evento do mundo, e Mato Grosso não possuía esse “know-how”, a Polícia Civil não tinha “know-how”, para atuar em um evento desta envergadura. Nunca tínhamos realizado um grande evento de porte internacional, como foi a Copa do Mundo. Todo o planejamento feito, toda a preparação, a qualificação dos servidores foram de suma importância para o sucesso de nossa Polícia Civil frente ao plano operacional da Copa do Mundo. Enfrentamos, realizamos e no final recebemos o reconhecimento de todo nosso esforço com avaliação nota 9.8 de Segurança Pública em nível de Brasil. Estamos dentre os primeiros que melhor atendeu a segurança pública das 12 cidades-sedes. Trabalhamos muito na imagem institucional. A Polícia Civil no nosso entender estava perdendo sua identidade e realizamos o resgate dessa identidade institucional, investindo na logomarca, se posso chamar assim, nas cores da Polícia Civil e nos símbolos oficiais como nosso Brasão. Hoje as viaturas da PJC já possuem as cores de nossa instituição: preto e branco. Fizemos os layouts das delegacias, uma planta baixa das mesmas cores da Polícia Civil. O Brasão, símbolo institucional, deve ser usado por todas as unidades para que fortaleça cada vez mais a identidade da Polícia Civil. Tanto é assim que acabou virando uma Resolução do Conselho Superior de Polícia. Elaboramos apresentação oficial da instituição através de um modelo “Power Point institucional”, onde todos os servidores têm acesso e quando forem proferir aulas, palestras ou apresentar um trabalho em nome da Polícia Civil, é obrigatório o uso desse modelo de slide, para que possamos fortalecer cada vez mais nossa imagem. Voltamos as nomenclaturas das delegacias de polícia a todas as unidades e onde há mais de uma delegacia na cidade, a denominação dar-se-á pela numeração ordinal: 1ª DP, 2ª DP, 3ª DP e assim sucessivamente. Tudo isso faz com que a instituição ganhe força e a imagem dela sedimente na população. Ganha a Polícia Civil, ganha a sociedade de Mato Grosso.
                                  
2. Como o senhor vê a Polícia Judiciária Civil daqui há 10 anos, prazo estabelecido no plano estratégico?
                             
Desde que assumimos a direção institucional, encontramos muitos desafios. Desafios nas questões tecnológicas, pois não tínhamos um banco de dados único, passamos a ter. Desafio quanto ao atendimento à população, e apesar de todos os esforços já despendido, ainda temos muito que fazer para melhorarmos. Em Cuiabá tínhamos um único plantão e passamos a ter dois, dentro das nossas possibilidades praticamente dividimos esse atendimento, de crimes contra o patrimônio e os demais crimes. Sempre mencionei de que é inconcebível Cuiabá possuir cerca de 600 (seiscentos) mil habitantes e possuir um ponto apenas de atendimento e, mesmo dois, é pouco, precisamos ampliar mais, conseguir colocar em prática uma divisão de áreas. A sociedade cresce vertiginosamente e temos que acompanhar esse crescimento social, creio que a Polícia Civil sempre irá enfrentar este desafio, com isto, procuramos também investir na Delegacia Virtual, mudamos o site, tornando-o mais amigável e ampliamos o rol de crimes que podem ser registrados via internet, como também internacionalizamos o mesmo levando para os idiomas espanhol e inglês. Outro grande legado é o nosso planejamento estratégico. O planejamento estratégico sempre houve na nossa instituição, mas julgamos que estava um pouco modesto, tímido e sua concepção para um prazo de cerca de 4 anos. Ousamos e fizemos um planejamento para 10 anos. Estamos pensando numa Polícia Civil para 2022 e dentro desse planejamento temos ações de curto, médio e longo prazo para ser executada. Apesar de sofrermos os efeitos deste planejamento durante este período, quando em 2022 a nossa ideia é que a Polícia Civil consiga estar muito mais próximo do seu ideal, daquilo que almeja como visão de futuro que consta em nossa identidade Institucional: “Ser uma Instituição Policial moderna, independente, ética, eficaz, utilizando métodos científicos, integrada à sociedade”, preocupada no respeito a cidadania, para que possamos cumprir com nossa missão. Esse planejamento foi feito a várias mãos, por todos os servidores que integram a Instituição, e acredito que alcançaremos nossos objetivos. Ele foi dividido em cinco grandes eixos, em que nos preocupamos com a qualidade no atendimento ao cidadão, intensificação das ações comunitárias, fortalecimento das ações de investigação criminal, fortalecimento do sistema de inteligência e na reestruturação do modelo de gestão.
                                                                                 
3. Como se encontra a Polícia Civil hoje em termos de recursos humanos e equipamentos?
                                                              
Os recursos humanos são um grande gargalo que a Polícia Civil sempre enfrentou e continua enfrentando. Hoje estamos trabalhando com aproximadamente 42% do nosso efetivo. Efetivo esse, planejado há 11 anos atrás. É obvio que isso reflete e muito em outras questões, como no andamento dos procedimentos internos institucionais, no andar de uma investigação criminal, na qualidade dos serviços prestados, no atendimento ao público em geral, dentre outros reflexos. Todavia, conseguimos nesses dois anos e nove meses abrir concurso para as carreiras de investigador e escrivão, o qual se encontra na fase final e vamos colocar a disposição da sociedade mais 600 policiais, sendo 450 investigadores e 150 escrivães. Já a carreira de delegado de polícia, conseguimos a nomeação de todos aqueles do último concurso. Foram quase 100 novos delegados de polícia na ativa. Nunca houve na história de Mato Grosso tantos delegados na ativa como temos hoje. É suficiente? Não. Precisamos de mais. Ainda há municípios sem a figura da autoridade policial. Apesar do percalço dos recursos humanos, conseguimos avançar no que tange a isso. Estamos terminando agora o planejamento de reposição gradual dos servidores. Sabemos qual é nosso déficit e temos a previsão de aposentadorias até o ano de 2018 e estaremos apresentando ao próximo governo esse planejamento para que anualmente possamos colocarmos nos quadros da Polícia Civil um número mínimo, necessário, para repor aqueles que estão saindo e gradativamente possamos ter um incremento nas três carreiras. Ademais as carreiras policiais, também conseguimos trazer servidores da carreira meio, no que tange a técnicos, assistentes sociais, psicólogos, técnicos administrativos. Hoje estamos com quase 60 servidores nessas áreas. Na questão de equipamentos, sofremos grande reflexo da situação financeira do Estado, pois esta não nos foi favorável durante esse período de gestão. Porém, não podíamos ficar parados e esmorecer. Realizamos vários projetos e fomos capitanear recursos no Governo Federal, no Ministério da Justiça, e também firmamos parcerias com Prefeituras, Poder Judiciário, Ministério Público do Trabalho, dentre outros. Temos um termo firmado com o Ministério Público do Trabalho, onde já foram destinados cerca de R$ 200 mil reais para aquisição de móveis e utensílios. Já temos a doação por parte do Tribunal Regional do Trabalho de 250 computadores; tivemos o auxílio do Tribunal de Contas no que tange também a doações de computadores. Dentro dessas parcerias e da captação de recursos conseguimos alguns avanços na área de equipamentos. Apesar de todas estas dificuldades em investimentos, conseguimos entregar recentemente armamento de última geração, a Gerência de Operações Especiais (GOE). São submetralhadoras que possuem uma tecnologia agregada de primeiro mundo, sem contar o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro, que também é uma tecnologia alta; o QlikView. Tudo são equipamentos e tecnologias trazidas para o seio da Polícia Civil.
                                    



 

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