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Domingo, 24 de fevereiro de 2013, 07h00 | Tamanho do texto: A- A+

BOPE

Comandante fala dos 25 anos

DANA CAMPOS
Assessoria/PMMT
Ednilson Aguiar/Secom-MT
Novas instações do Bope
Novas instações do Bope

O Batalhão de Operações Especiais, o Bope, completou, na última quinta-feira (20), 25 anos. Criado na década de 80, a unidade surgiu com a necessidade de o Governo do Estado atuar contra o crime organizado, com uma tropa especializada. Inicialmente, a unidade continha cinco companhias independentes, sendo a Operações Especiais (COE), Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), Operações de Choque (CHQ), Operações com Cães (COC) e de Cavalaria (CAV). Essas três últimas foram desativadas, no entanto, a Cavalaria foi retomada em forma de Regimento, em razão da Copa do Mundo de 2014. Em 2009, a companhia da Rotam também foi desativada, mas foi reativada como batalhão. O Bope passou a ser constituído somente pelo efetivo remanescente da COE. Em abril de 2010, se tornou efetivamente o Batalhão de Operações Especiais (Bope), composto por três companhias, a de Intervenção Tática (1ª Cia), de Gerenciamento de Crise e Contra-Terror (2ª Cia) e de Comando e Serviço (3ª Cia). Em entrevista, o major Jonildo José de Assis, a quase três anos à frente do comando, fala das conquistas, dos investimentos em capacitação realizados pelo Governo do Estado e desmistifica o maior símbolo da unidade, um crânio, confundido com uma caveira, que é sinônimo de sabedoria, razão e conhecimento.

1) Qual a função e atuação do Batalhão de Operações Especiais (Bope)?

Major Assis - O Bope tem como função garantir a segurança pública em ocorrências de alta complexidade. A atuação é feita por meio de intervenções cirúrgicas com uso de armamento e equipamento especializados, bem como técnicas próprias. Essa atuação ocorre quando uma unidade operacional de área não possui plenas condições técnicas de operar. Por exemplo, busca e captura de criminosos em mata, municiados com armamento de auto poder ofensivo, situação de crise com refém ou suicida, ocorrências com artefato explosivo, etc.

2) A partir dessa atuação, como é feito o processo de capacitação dos policiais que atuam na unidade? Eles podem ser considerados policiais diferenciados?

Major Assis - Todo policial que compõe o efetivo do Bope tem, necessariamente, que concluir os cursos de Ações Táticas (CAT) e Operações Especiais (Coesp). O CAT tem duração aproximada de dois meses e o Coesp de quatro. Nossos policiais podem ser considerados diferenciais, porque, diariamente são treinados e capacitados. Todo dia, o policial chega, confere o equipamento e realiza o treino tático. Além disso, todos eles têm a oportunidade de se especializarem ainda mais, por meio de cursos, como Técnico Explosivista, Negociador Policial e Atirador Policial de Precisão. Hoje, de um efetivo de 100 policiais, metade é operador, ou seja, tem alguma especialidade. Nossa tônica é a capacitação, com intercâmbios entre outros estados e países. Um tenente da unidade, por exemplo, fará no próximo mês, uma capacitação na base militar americana Fort Benning, no estado da Georgia (EUA).

3) Há quanto tempo está à frente do comando do Bope? Como é comandar uma das unidades considerada como uma das principais da Polícia Militar de Mato Grosso?

Major Assis - Assumi em maio de 2010. Comandar o Bope foi um sonho que se tornou realidade e hoje é uma honra. É o ápice para um policial caveira (integrante do Bope) chegar ao comando do Bope, que possui uma tropa muito boa, composta por policiais dotados de muita disciplina consciente e lealdade.

4) Quais foram as conquistas obtidas durante o seu comando?

Major Assis - Ao longo de quase três anos de comando conseguimos ampliar a estrutura da unidade. Também conseguimos realizar duas edições do Curso de Atirador de Precisão, com participação de policiais dos estados do Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Maranhão. Outras duas edições do curso de Ações Táticas (CAT). Esses cursos possibilitaram ampliar o número de efetivo de policiais operadores.

5) Na sua opinião, a partir dessa evolução, quais são os destaques que podem ser observados tanto na área operacional, quanto na estrutural da unidade?

Major Assis - Atualmente, o Bope de Mato Grosso tem obtido destaque no cenário nacional, no que se refere a patrulhamento em mata fechada. Hoje, nossa unidade é responsável por promover cursos de treinamento para diversos outros estados como Goiás, Mato Grosso do Sul e Rondônia. Outros, já têm interesse em adquirir esse conhecimento técnico. Quanto a estrutura, o Bope possui hoje uma academia de musculação, refeitório de oficiais e praças e uma área de aproximadamente 200 metros quadrados, onde é desenvolvido o projeto Judô Bope, que atende cerca de 300 crianças e adolescentes, entre 04 e 16 anos, inclusive, todos cadastrados junto a Federação Mato-grossense de Judô. Fizemos a reforma do telhado dos alojamentos e estão em construção, seis boxes para cães que serão empregados nas ações de busca e captura em área de mata.

6) Mato Grosso tem sido um dos estados alvos de quadrilhas especializadas em assaltos a banco, conhecidos como “novo cangaço”. De que maneira a unidade tem trabalhado para impedir e reprimir esses crimes?

Major Assis - O Bope é uma ferramenta da Polícia Militar de Mato Grosso, que tem atuado dentro de um conjunto de esforços da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e suas respectivas unidades, por meio de planejamento estratégico, com o propósito de estabelecer planos antes e após essas ocorrências. Nesses casos, nossa unidade é acionada pelo comandante regional da área, que atua com seus respectivos policiais da região, realizando barreiras e dando todo o suporte para nossas intervenções. Esse planejamento estratégico foi muito bem aplicado, por exemplo, durante as ocorrências nos municípios de Comodoro e Marcelândia.

7) A unidade tem obtido respaldo do Governo do Estado e da sociedade, no que se refere a investimentos para maior estruturação e denúncias que auxiliam na localização e identificação de criminosos e suas ações?

Major Assis - Claro, graças ao Governo do Estado temos tido a possibilidade de promover e participar de cursos de capacitações e intercâmbio, além de aquisições de equipamentos fundamentais para cotidiano de trabalho. Todo esse incentivo faz parte de um plano de ação do Governo do Estado de reaparelhamento e reestruturação das unidades que compõem a segurança pública. E a sociedade também é participativa e contribui muito para o sucesso das nossas ações, por meio de denúncias e informações importantes para prisão e localização de criminosos.

8) Há pouco mais de um ano para a realização da Copa do Mundo de Futebol, como o Bope está se preparando para atuar durante o evento mundial?

Major Assis - Estamos nos preparando desde que Cuiabá foi escolhida como uma das cidades-sede do evento. Desde então, a PM, sendo assim, o Bope, tem elaborado um plano de ação visando a Copa. Daí vem tudo que já falei anteriormente, com a realização de cursos de capacitação, intercâmbio e aquisição de que novos armamentos e equipamentos técnicos.

9) Quais são as perspectivas xde novos cursos e recursos para a unidade?

Major Assis - São as melhores possíveis. Estão previstos novos cursos de Negociador com Refém, Esquadrão de Bombas, Emprego de Técnica e Tecnologia Menos Letal. Tudo isso, por meio de investimentos previstos pelo Governo do Estado.

10) Por ter como símbolo uma caveira, o Bope e seus respectivos policiais são, muitas vezes, estereotipados. Sendo alvos de comentários e afirmações quanto a atuação, considerada truculenta. O que o senhor pode falar para desmistificar essas colocações?

Major Assis - O Bope não trabalha fazendo abordagens. Às vezes, o armamento, o uniforme, por serem bem impactantes, podem gerar alguns equívocos. Quanto ao símbolo (um crânio), popularmente identificado como uma caveira, significa sabedoria, razão e conhecimento. E não medo, morte ou terror. É com essa simbologia que nossos homens valorosos buscam agir diariamente na rotina de seu trabalho. Homens comuns, pais de família e religiosos compromissados com a segurança pública.

11) As suas considerações finais:

Major Assis - O Bope, assim como toda a Polícia Militar, está de portas abertas para a população. Em 25 anos de existência, a nossa unidade busca, assim como a instituição em geral, aproximar da sociedade, buscando agir com serenidade e legalidade em prol da segurança pública. Espero que os próximos 25 anos sejam de muito mais avanços.

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