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Sexta, 25 de julho de 2014, 11h18 | Tamanho do texto: A- A+

Thompson veio com guaraná e ficou em Cuiabá


Redação/Secom-MT

 

 

  • Lenine Martins/Secom-MT
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Desde que Jorge Thompson chegou a Mato Grosso nunca mais faltou guaraná no estado. Isto aconteceu há 43 anos, quando uma estranha logística determinava o abastecimento do produto: “Ele ia de avião de Manaus para São Paulo e de lá era enviado para Corumbá, de barco. Ali um comerciante, João Dolatoni, fazia a distribuição para todo o Mato Grosso, também pelos rios”, explica Thompson. Quando trocou Manaus por Cuiabá, aos 21 anos, ele veio para consolidar um negócio do seu pai Tibiriçá Thompson, que há sete anos trazia regularmente toneladas de bastões de guaraná de Maués para cá.

O guaraná, introduzido em Mato Grosso provavelmente pelo Marechal Rondon, há muito já havia se incorporado à identidade do cuiabano. Rondon, citado em uma reportagem por Aecim Tocantins, dizia que “o som de grosar do guaraná era o amanhecer do cuiabano”. Este amanhecer ocorria em todo o Pantanal e em cidades tradicionais de Mato Grosso, como Acorizal, Rosário Oeste, Nobres e Jangada que ampliavam a geografia do fornecimento dos bastões.

A partir de uma pequena loja, exclusiva para a venda de guaraná em bastão na rua Thogo Pereira, nas proximidades do Hospital Geral, Jorge Thompson Paes Bernardes, em 1971, atendia no balcão a partir das seis horas da manhã o cidadão comum e personalidades. “Rubens de Mendonça (historiador), José Vilanova Torres (ex-prefeito), José Fragelli (ex-governador) formavam a clientela habitual. Quando apareciam por aqui artistas para shows e queriam conhecer melhor Cuiabá, eram levados para comprar guaraná”, relata. Ele se lembra de Rosa Maria Murtinho e Mauro Mendonça. Pepeu Gomes e Baby Consuelo, dentre outros.

“Mauro Mendonça depois que conheceu a loja tornou-se freguês assíduo. Pedia para mandar pelo correio para o Rio de Janeiro”, diz. Inaugurou uma face do negócio que permanece até hoje. A lista de remessa do Guaraná Tibiriçá é enorme. Ele é enviado para consumidores de todo o país, principalmente para o interior de São Paulo. “Apesar das vendas no atacado serem feitas em todo o Brasil, têm compradores que preferem pagar as despesas de correio para comprar diretamente daqui”, explicou.

O negócio começou em 1964, por acaso, e firmou-se pelo hábito do cuiabano, que nem sempre tinha o guaraná à disposição. “Quando faltava, as pessoas pegavam o restinho do bastão com um alicate para passar na grosa”, diz Thompson. Foi uma pane num DC-3 da empresa Cruzeiro do Sul que obrigou o voo de Manaus a São Paulo a fazer uma escala em Cuiabá. Tibiriça, ex-sócio de uma padaria, rumava para o Sul em busca de novas oportunidades e num hotel da rua Galdino Pimentel encontrou Giovani, um italiano que ao saber de sua origem se apresentou como comerciante de guaraná e o convidou para assumir o negócio. Fez uma lista de clientes e entregou-lhe. Antes de partir o manauense sondou o negócio e dois meses depois chegou à cidade com 300 bastões de guaraná. A partir daí não parou mais com a venda.

Com o mercado promissor e garantido, já testado pelos últimos anos, Tibiriça resolveu abrir a loja e trouxe o filho. “Estava me preparando para estudar Direito e pensei que ia ficar por aqui uma ou duas semanas”, revelou Thompson que foi crescendo com o negócio do pai. Foi ficando... ficando e ampliando a atuação. Depois das seis horas percorria os bairros tradicionais de Cuiabá para fazer entrega das vendas que eram feitas durante o dia e aos sábados saía no início da tarde para os municípios vizinhos. Enquanto isso seu pai e o resto da família construíam a Tibiriçá, em Manaus, desenvolvendo toda a cadeia produtiva do guaraná, do plantio ao processamento da semente e fabricação dos bastãos. Hoje a Tibiriça já não planta o Guaraná e nem faz os bastões. Mas comercializa desde a semente até o suco (em forma de xarope) bastões e o guaraná em pó. “Eu comecei a produzir o guaraná em pó por sugestão do José Lotufo (pai do Névio) que tinha um moinho de fazer fubá e se ofereceu para moer para mim”, recorda. “Como a embalagem era difícil eu então acondicionava em vidros de maionese. Pintava as tampas de azul e tinha mais um produto para o mercado”, explica Jorge Thompson.

O crescimento da cidade (na época que chegou aqui nem a rua Isaac Póvoas, existia. Era apenas um caminho) levou a Casa do Guaraná para o Bairro do Porto onde está até hoje.