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Domingo, 31 de agosto de 2014, 08h52 | Tamanho do texto: A- A+

Pioneirismo marcou vida de empresário

Ele foi o primeiro fornecedor de água mineral em Mato Grosso


Redação/Secom-MT

Marcos Vergueiro/Secom/MT
Adalberto Lebrinha
Adalberto Lebrinha chegou a Mato Grosso com 5 anos de idade, em 1955

Foi pensando em casar que Adalberto Lebrinha resolveu criar o próprio negócio. Já de namoro firme com sua atual esposa Regina Estela Rondon de Almeida, trabalhava com os irmãos e o pai. Cresceu atuando em vários negócios da família: postos de combústível na Capital e no interior, a rodoviária antiga de Cuiabá, hotel, e a distribuidora exclusiva de cerveja Antartica em Mato Grosso. Seu pensamento começou a materializar-se quando ao limpar um poço numa propriedade no Alto da Serra de São Vicente (onde hoje é uma pousada), pensou que poderia engarrafar e vender água mineral.

 

O casamento chegou primeiro que a água. Mesmo dispondo de uma estrutura de entrega do produto, a empresa já distribuia as águas de Lindoia, Caxambu e São Lourenço, de Minas Gerais, com o engarrafamento da água em Mato Grosso poderia eliminar os altos custos do transporte. Seu negócio só iria começar efetivamente 10 anos depois, após vencer todas as barreiras burocráticas para o registo da água e enfrentar mudanças de órgãos governamentais (DNPM e CPRM) do Rio para Brasília. Não faltaram também o enfrentamento de um forte lobby de produtores para impedir a concorrência com multinacionais poderosas que dominavam a produção no Sudeste. 

 

Desbravadores

 

O espírito do pioneirismo acabou falando mais alto e a perseverança fez valer o empreendedorismo, aprendido com o pai Sebastião Silvério (Lebrinha). Após vender tudo que tinha no Paraná, Silvério descobriu que não tinha caminho para acesso às terras que havia comprado em Itanhangá, a 600 quilômetros de Cuiabá. Empregou-se como chefe de um seringal e tornou-se um desbravador do estado. Três anos depois já havia se estabelecido e com condições de trazer a família.

 

Adalberto tinha 5 anos de idade quando chegou a Mato Grosso, em 1955. Conviveu na infância com histórias fantásticas do pai, que em suas façanhas relatava as aventuras de construir caminhos pelos rios e por terra, no rumo de sua sonhada fazenda. Aprimorou a navegação fluvial nos rios Sumidouro, Corre-água e Rio do Sangue para escoar a borracha, ajudou a fazer a estrada da Baiana (hoje MT-338 que liga Porto dos Gaúchos a Lucas do Rio Verde e hoje recebe o asfalto do MT Integrado, programa do Governo do Estado).

Marcos Vergueiro/Secom/MT
Adalberto Lebrinha
Lebrinha atualmente se dedica a um novo empreendedorismo


Lebrinha quando adolescente passou a viver as aventuras de embrenhar-se no interior de Mato Grosso. Acompanhava o pai nos caminhos incertos do Nortão. Ajudou o pai a instalar postos de combustível em Rosário Oeste, Nobres, Posto Gil e nos Parecis. Nestas andanças chegou ao ponto de arriscar a saúde, contraindo cinco malárias, duas delas duplas. Cresceu ajudando no Hotel Alvorada, arrendado pelo seu pai e acompanhou a construção da primeira rodoviária da cidade, feita pela sua família, na rua Miranda Reis. Aos 15 anos foi cuidar do Armazém Popular, que ficava na esquina da avenida Isaac Píovoas com a Sírio Libanez, nas proximidades do edifício Milão.

 

Empreendedorismo

 

Já conhecido como Lebrinha, como o pai, Adalberto viu o armazem ser remodelado num estabelecimento também atacadista e comprou uma máquina de fazer picolé para gelar cerveja. Aí começou a distribuidora de cerveja, que trazia as garrafas de São Paulo e distribuia em todo o estado, tornando-se o maior representante da Antartica no Brasil e tempos depois iniciou a venda do chopp em Cuiabá. Só tinha um porém: o negócio era da família, o pai e os seis irmãos ajudavam no negócio. Ele queria é descobrir uma atividade para si próprio.


Água Lebrinha

 

Decidido a entrar no negócio da água só tinha que achar uma fonte de água que obedecesse os requisitos do DNPM (Departamento Nacional de Produção Minineral). Emprestou um aparelho para medir o Ph da água e nos finais de semana percorria as redondezas de Cuiabá, Barra do Bugres, Santo Antônio do Leverger e outros municípios da região medindo a qualidade das águas de fontes que indicavam a ele. Um dia passando por Chapada dos Guimarães, conversando com o pároco Dom Winibaldo ele apontou para a Fonte Bica das Moças (chamada assim por acolher religiosas para banho e ser proibida a entrada de homens). Os testes confirmaram a indicação do padre e aí começou uma verdadeira maratona para que fosse possível engarrafar a primeiras água.

 

Enquanto os papéis trafegavam nos caminhos burocráticos Lebrinha montava a “indústria”, criando as condições para extração da água do subsolo e engarrafamento. Apoiado na rede de distribuição da cerveja Antartica, levou a água para todo o estado, principalmente para áreas de garimpo onde era difícil a água potável.

 

O negócio prosperou tanto que chegou ser um dos maiores contribuintes com impostos. Mesmo depois de 30 anos e com outros fornecedores de água no estado, a Lebrinha, hoje nas mãos de seu irmão Roberto, é responsável pelo fornecimento de 25% da água no mercado de Mato Grosso.

 

Serviços prestados

 

Adalberto já não trabalha mais com a água. Atualmente se dedica a um empreendimento nas proximidades do Posto Gil, onde desenvolve um loteamento das terras da família, numa nova cidade que começa a surgir por ali. Em seu caminho teve todos os reconhecimentos possíveis do seu pioneirismo e se orgulha de ter sido chamado para a maçonaria, atuando como obreiro da Loja Filhos de Salomão, também a pioneira no Estado de Mato Grosso e a maior responsável pelo desenvolvimento da ordem em nosso estado.

 

Recentemente, foi levado para o Conselho do Abrigo dos Velhos para, voluntariamente colocar em ordem a instituição. Responsabiliza-se por resgatar 28 imóveis que estavam em situação irregular e por pagar as dívidas da instituição.