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Segunda, 10 de novembro de 2014, 09h36 | Tamanho do texto: A- A+

O Rio passou na vida dele: o rio Coxipó também


Redação/Secom-MT

  • Josi Pettengill/Secom-MT
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Quando olha para um passado recente de Cuiabá, Aclyse de Matos se vê, ainda criança, na década de 60 do século XX, com os irmãos e amigos vivendo aventuras cinematográficas enquanto assistia filmes projetados na sacaria de um moinho que existia na rua 13 de junho. Ali também funcionava a “Moto Slin” de Zé Lotufo, pai de Névio Lotufo, o responsável pela projeção cinematográfica. Suas lembranças vão além disso: passam pelas voltas de bicicleta na praça Ipiranga e avenida Ponce de Arruda, uma continuidade da rua do Coxim, que hoje formam uma única via a Avenida Isaac Póvoas.

 

Era um tempo que permitia aos meninos jogarem futebol com bola de meia na Praça da República, em frente à Escola Modelo Barão de Melgaço, onde a meninada fazia o curso primário antes de prosseguir os estudos. Aclyse foi para a escola técnica, para estudar edificação, não terminou o curso porque foi fazer o terceiro ano em São Paulo. Aclyse também se vê tocando saxofone na Banda de Mestre Albertino, onde em toda a apresentação semanal do hino nacional, um costume da época, era o responsável pela execução de uma nota só “era um sol”, lembra.

 

O instrumento deixado de lado em troca do violão hoje é apenas o nome de um dos seus livros de poesia. Começou a estudar violão clássico, já despertado para a vocação musical. Nessa época morava na beira do Rio Coxipó, nas proximidades do Patronato Santo Antônio. Foi onde desenvolveu a intensa percepção da beleza da natureza e da exuberância das matas. Seriam suas parceiras para o resto da vida.

 

A música e a natureza iriam caracterizar sua poesia, na verdade letras de suas composições musicais. Aclyse de Matos, hoje doutor em Comunicação Social e professor do Curso de Comunicação Social da UFMT é também um dos mais relevantes agentes da Cultura mato-grossense. Saiu de Cuiabá na adolescência para estudar música em São Paulo.

 

Foi quando passou a ter contato com a obra de outros poetas como Mário e Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e outros. E ao sair de Cuiabá descobriu a importância de cantar a sua vila, para universalizá-la. No entanto a aridez da paisagem paulista, em contraponto com Cuiabá, o enviou para o Rio de Janeiro onde além da música enveredou pelo estudo de Comunicação e Publicidade.

 

Sua passagem pelo Rio de Janeiro trouxe à tona, com maior intensidade, o poeta e o músico. Com toda a intensidade dos seus 20 anos invadia a noite carioca, ou tocando em bares da moda ou vendendo suas primeiras publicações no estilo da geração mimiógrafo (em que o próprio autor imprimia e distribuía seu livro). Outra realidade o trouxe de volta: casado e com a família crescendo, sonhava criar aqui um Centro Cultural. Mas, tinha que sustentar a família. Buscou trabalho e tornou-se professor: primeiro na Univag e depois na UFMT, onde permanece até hoje.

 

Nesse meio tempo, com o irmão Gabriel Matos e Wander Antunes participou de Vôte, revista que se apresentava como “um espaço para o autor mato-grossense estabelecer contato com o púbico” e do site Prosa virtual, que tinha o mesmo objetivo. Foi por várias vezes parceiro do SESC e virou referência na poesia e em publicações culturais. Agora planeja o lançamento de um CD, com suas poesias como letras de músicas, a maioria composta por ele mesmo. “A arte é uma pergunta que transforma”, define enquanto explica a exuberância de Cuiabá na apresentação e formação de um grande número de artistas de reconhecimento universal: “Acredito que aqui nós gozamos a libertação que a cultura traz”, diz. “Há muito espaço e tempo para reflexão”, conclui.